1991

1991 em diante – o desafio de ser global (parte 3 e fim da trilogia)

Os portos brasileiros foram reabertos para o mundo apenas em 1991 com o Plano Color I depois de cerca de 50 anos fechados sob a desculpa de proteger a industria nacional.

Agora em 2015, depois de 25 anos dessa reabertura como estamos no cenário internacional?

Numa pesquisa publicada em janeiro de 2015 pelo Fórum Econômico Mundial o Brasil amarga um último lugar no quesito que mede o percentual de empresários que oferecem produtos ou serviços inovadores num ranking inédito que envolve 44 países. Ficamos atrás de Trinidad e Tobago, Uganda e Jamaica.

Em um outro relatório, o The Global Innovation Index, que analisa os índices de inovação em mais de 140 países aparecemos na 70 posição, onde Suíça, Inglaterra e Suécia apresentam os melhores resultados.

Na minha perspectiva, inovamos pouco porque estamos fechados em nós mesmos, na nossa rotina, e esquecemos do mundo lá fora. Temos grande potencial, somos criativos, mas estamos contentes com pouco.

Anos de protecionismo nos deixou assim, apáticos ao cenário internacional, sempre esperando a ajuda do governo, seja com leis anti-dumping para os produtos altamente competitivos produzidos por outros países, seja através de benefícios fiscais dos mais variados para produtos (teoricamente) fabricados no Brasil.

Basta uma viagem rápida para países fronteiriços para se notar a total escassez de produtos e serviços brasileiros no mercado. Para piorar, a grande maioria dos empreendedores que saem do país para participar de feiras e eventos vão com o pensamento voltado para a importação e não para a internacionalização.

No discurso do empreendedor, a culpa é sempre do governo. Mas a verdade é que existe uma simbiose entre Estado e empresa que boicota o interesse do empreendedor em se arriscar no exterior. Tal qual o pai que com a desculpa de proteger o filho não deixa que este erre e ao errar aprenda.

Mas, incentivos, linhas de créditos, leis anti-dumping sempre acabam e a qualquer momento aparece uma crise a nos chamar de volta à realidade. Quando isso acontece, percebemos como estamos distantes da qualidade produtiva de outros países, como nossos produtos são pouco competitivos e o quão difícil é concorrer no mercado globalizado.

É curioso perceber que uma grande parte dos empresários brasileiros, em geral,  têm uma visão errada de si mesmos, acham que não têm condições de desenvolver um projeto internacional, que são pequenos demais, enfim, que não merecem. Mais interessante ainda é escutar gente de diversos países interessados em conhecer novos produtos e serviços brasileiros, mas não encontram.

Temos que mudar essa realidade se realmente desejamos sobreviver às próximas crises. Não é necessário muito, um passo de cada vez, comece participando de eventos em países próximos, faça obstinadamente um curso de língua estrangeira e, o mais importante, comece a se reconhecer como um empreendedor global, aceite o fato de que você merece e que não existe limites para a expansão dos seus negócios, a não ser os limites que você mesmo se impõe.


Esse post é a primeira parte da trilogia Porque as startups brasileiras precisam internacionalizar, que criei com objetivo de mostrar a importância de termos mais empreendedores focados no mercado global e onde tento explicar a origem do mindset inovador em nosso país além de trabalhar outros mitos relacionados. Clique aqui para ver a primeira ou aqui para a segunda parte.

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Leo Uchoa