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5 mitos que impedem sua empresa (ou startup) de internacionalizar

Não tenho dúvida de que uma das grandes saídas para a crise que estamos vivenciando hoje é o lançamento de mais negócios brasileiros no cenário internacional. Mas quando converso com os empreendedores sobre o assunto, parece que estamos falando de algo distante da nossa realidade e a grande maioria, durante essas conversas, termina caindo no vício de acreditar em mitos que permeiam tanto a vida profissional, quanto a acadêmica.

Já demonstrei nessa série de posts como o nosso mindset foi moldado para acreditar que o mercado interno basta e que vender apenas para o Brasil já é uma grande conquista. Esse comportamento mental gerou uma série de mitos danosos e complexos que se não forem banidos do universo mental do empreendedor dificilmente o tornará preparado para o novo ambiente de negócios, cada vez mais competitivo.

Seguem abaixo 5 mitos que considero “travas” para o desenvolvimento de mais negócios internacionais por empreendedores brasileiros:

1) Devo primeiro conquistar o Brasil antes de partir para o mercado internacional;

Dez entre dez empreendedores me dizem isso quando comento sobre a possibilidade de expandir seus negócios para outros países. Essa é uma afirmação também defendida por diversos professores universitários, mas que não encontra eco na vida prática. O Brasil é um país continental e com inúmeros entraves e desafios para qualquer negócio. Começar pequeno aqui e conseguir atingir o país inteiro é tarefa hercúlea e que depende de fatores que vão além do próprio mercado.

Na realidade, o melhor caminho é justamente o contrário: ao fazer sucesso lá fora, se torna muito mais fácil conquistar o Brasil. Se tiver em mente que países como Panamá, Singapura, Hong Kong e outros oferecem vantagens inimagináveis para a expanção comercial, vai entender como esse mito atrasa os primeiros passos de internacionalização do seu negócio.

2) Devo começar internacionalizando logo minha empresa;

Na verdade, você deve começar se internacionalizando primeiro, só depois pensar em internacionalizar sua empresa. Esse é um mito um tanto complexo porque a grande maioria dos empreendedores no Brasil nunca teve uma experiência internacional de negócios. Embora muitos brasileiros tenham viajado para fora do país, a grande maioria foi a passeio ou para estudos.

Grande parte dos empreendedores querem atacar o mercado global sem por o pé fora do escritório e isso torna a tarefa praticamente impossível. Se você quer realmente começar um projeto de internacionalização inicie participando de eventos internacionais: vá a feiras especializadas na sua área, participe de rodadas de negócios ou programas especializados de intercâmbio, só assim terá a experiência (e motivação) necessária para dar o primeiro passo rumo ao mundo.

3) Só grandes empresas internacionalizam;

Esse é um fato, mas que se tornou um mito. Realmente a quantidade de grandes empresas brasileiras internacionalizando é considerável. Cases como Havaianas , BRF , Ambev, entre outros, validam essa afirmação. O grande problema é acreditar que só eles podem internacionalizar. Na prática, qualquer empresa de qualquer tamanho, hoje, tem condições de atuar no mercado global. Inúmeras ferramentas on-line facilitam essa atividade e ajudam a promover seu negócio para diversos países.

4) A língua portuguesa é uma tendência e sempre me viro no portunhol;

Parece piada, mas já escutei isso tantas vezes que até perdi as contas. É o jeitinho brasileiro tentando iludir a realidade, embora se estime que no mundo há mais de 240 milhões de falantes da língua portuguesa e 9 países além do Brasil falam o idioma oficialmente. Mas cuidado! Nessa lista está contabilizada Macau, no sul da China, onde já estive algumas vezes e apesar dos nomes das ruas e placas oficiais estarem em nossa língua, não consegui encontrar um único falante de português. Ao perguntar a um policial onde ficava a “Rua da Felicidade”, obtive apenas grunhidos em cantonês (língua falada realmente na região) como resposta.

Na prática, poucas pessoas vão entender português no comércio global. E não, os falantes de língua espanhola NÃO vão entender nosso portunhol macarrônico e não é má vontade, veja aqui o porquê.

Pare de se enganar e esforce-se para aprender uma segunda língua. Minha dica é: comece pelo o espanhol, não só porque existem ínumeras oportunidades em nosso continente, mas também porque uma vez que sua mente destrava para uma lingua, se torna mais fácil aprender outras.

5) Preciso de muitos recursos financeiros para uma projeto internacional;

Esse último mito, que vem alimentando o imaginário de muita gente, é na verdade, um pouco da visão distorcida que temos do resto mundo. Se você for começar um projeto fora do país da mesma maneira que viajamos a lazer seria realmente inviável. O fato é que existem diversas possibilidades de ter uma presença internacional com baixo custo. Uma das principais dicas que deixo aqui é: fuja dos destinos óbvios. A maioria dos empreendedores quer começar a operar nos Estados Unidos, o que realmente deixa o projeto muito caro. Busque opções como México, Panamá, Colômbia, Portugal, entre outros, onde o custo de vida x despesas para manter uma empresa podem se equiparar ou ser mais baratos que no Brasil.

Com certeza existem diversos outros mitos e fatores que impedem os empreendedores de dar o primeiro passo rumo à globalização, mas o mais importante é começar, pesquisar e testar.

Dúvidas, sugestões? Deixe um comentário! Será um prazer ajudá-los a esclarecer algum ponto e conhecer também suas opiniões sobre o assunto.

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Leo Uchoa
Comments:
  • Felipe Araujo
    Responder

    Excelente texto Leo! Eu como empreendedor na área de comércio exterior vejo muito isso.Em particular as premissas de que deve-se primeiro conquistar o Brasil e que também exportar significa vender para os EUA e Europa.O mercado do país é enorme de fato, mas nossas dificuldades logísticas e tributárias também. Um produto que sai do Sudeste e vai para o Norte, chega muito mais caro as lojas do que um produto que saia do mesmo fornecedor em direção ao Paraguai ou Uruguai por exemplo.
    Essa cultura anti-exportação esta tão martelada na cabeça de nossos pequenos e médios empresários que vejo que a única saída de verdade seria uma atuação muito institucional de todos os consultores, assessores e empreendedores que atuam com exportação ou internacionalização de empresas. Meu contato esta aí, seria um prazer um discutir com maior profundidade o assunto. Abs!

    22/01/2016 at 11:32

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