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7 Razões para você NÃO focar sua startup no Vale do Silício

Se você perguntar a 10 empreendedores na área de startups qual é o seu sonho profissional é bem possível que os 10 respondam, sem pestanejar, que seu grande sonho é abrir uma startup no “Vale”.

Ok, o Vale do Silicio nos Estados Unidos, região que compreende varias cidades focadas em tecnologia na Califórnia e reúne as gigantes do setor, seguramente é um dos ecossistemas mais inovadores do mundo, mas, será que realmente vale a pena ir pra lá? E outra, a estratégia de sair do Brasil sem praticamente nenhuma experiência internacional e aportar na região mais competitiva do planeta é realmente a mais inteligente? Será essa a melhor maneira de ter uma operação global?

Na minha opinião, definitivamente o Vale do Silicio NÃO deveria estar na mira das startups brasileiras, ainda mais aquelas na fase da ideia ou ainda modelando o negócio, ou seja, no início da operação.

O Vale ou melhor, o mercado americano, deveria ser o objetivo final e não o primeiro de uma startup. Depois do produto realmente testado e validado, com alguma experiência em outros países aí sim, talvez valha e pena partir para o mercado americano, um dos poucos que pode oferecer as melhores oportunidades para sua empresa voar alto.

Vou citar abaixo as 7 sete razões que me fazem pensar dessa maneira.

1) Custo de vida
É ilusão achar que você vai passar uma semana no Vale, esbarrar com algum investidor e ele irá aportar 1 milhão de dólares na sua empresa (baseada no Brasil) só porque curtiu com a sua cara. Todo processo de investimento é lento, complexo e demanda muito trabalho. Se aceitar o desafio, é possível que precise investir pelo menos seis meses até conseguir estar pronto para procurar investidores.

Talvez ainda não saiba mas São Francisco, cidade base no Vale do Silício, é uma das mais caras dos Estado Unidos, talvez até do mundo. Pensando apenas em moradia, se quiser ter uma vida simples, o que é recomendado para uma startup, vai ter que desembolsar pelo menos uns 3 mil dólares por mês apenas em aluguel. Sem contar despesas de alimentação, transporte, espaço de trabalho e etc.

2) Competitividade bizarra
Basta caminhar um pouco por São Francisco para perceber um grande número de estrangeiros de toda parte do mundo. Isso poderia ser uma ótima notícia para nós brasileiros, o problema é que o Vale é um das regiões mais competitivas do planeta, essa diversidade consegue reunir as melhores cabeças de diversos países. Nesse caso você estará competindo com pessoas que tem no mínimo muito mais experiência internacional que você, sem contar que muitos se preparam por anos antes de irem para o mercado americano.

Não quero duvidar da sua resiliência nem da sua capacidade de competir, mas apenas dar uma ideia que a energia e o esforço despendidos não valem a pena, melhor ganhar algumas batalhas menores antes de ir para o grande confronto final, não acha?

3) Dificuldade com a língua
Esse é um problema complexo porque, pior que ter a dificuldade com o inglês, é não assumir. Muitos empreendedores que já convivi antes de embarcarem para os EUA tem a tosca ideia que inglês que aprenderam há 10 anos atrás num cursinho qualquer vai ser suficiente para se comunicarem e que chegando lá vão se virar. Mas a coisa não é bem assim, e o que acontece na prática é muita gente não consegue nem pedir um táxi. Demora-se muito tempo até ter um mínimo de comunicação para participar de eventos ou fazer pitch. Como estamos falando de uma das cidades mais caras do mundo esse pode ser o curso de inglês mais sem noção da sua vida.

4) Seu cliente não é o americano
Esse é um erro clássico, a maioria das startups brasileiras constrói seu produto baseado na realidade que vive, ou seja, focada no cliente brasileiro, tentando resolver a dor desse cara que está num contexto e pensa totalmente diferente do americano. Ouvi de um amigo indiano em Boston que o Vale do Silício é uma bolha dentro dos Estado Unidos, ou seja, mesmo que você adapte seu produto para esse cliente existe um risco dele não representar a realidade do mercado americano e muito menos do mercado global. Se levar em consideração que a cada segundo alguém tem uma ideia de uma startup no Vale do Silício e precisa validar, daí você começa a perceber quão desafiadora e dispendiosa será essa tarefa.

5) Complexidade jurídica
Imagino que a essa altura já tenha caído sua ficha que não irá conseguir investimento tendo sua empresa baseada no Brasil. Somos um dos países mais complexos para se ter um negócio no mundo e investidor americano nenhum vai aportar dinheiro em uma startup no Brasil, pelo menos enquanto você não tiver um negócio que lucre muito, mas muito mesmo e que vá compensar toda dor de cabeça que ele vai enfrentar. Ou seja, isso significa que você terá que abrir uma empresa em solo americano e daí é que começam os problemas.

Que tipo empresa abrir? LLC ou C Corporation? Delaware ou Wyoming? Tecnicamente pode até ser mais simples que abrir no Brasil, mas você está preparado para lidar com a lei americana? Um erro pequeninho na composição da sua empresa poderá custar alguns milhares de dólares num futuro aporte de investidores e mais, caso você precise de um serviço de advogados americanos terá que estar preparado para pagar? Sabe quanto custa?

6) Visto americano
Esse é o grande desafio dos Estados Unidos, assim como você ( eu não me incluo nessa) milhares de pessoas em todo mundo sonham e ir morar nas terras do Tio Sam o que torna o desafio de tirar o visto correto um tanto complexo. Você pode até tentar um visto específico para startups (visto de subsidiária), mantendo seu negócio ativo aqui no Brasil, mas mesmo assim não é garantia que irá conseguir se manter muito tempo por lá além do que vai precisar gastar cerca de 15 mil dólares para obter esse tipo de visto.

7) Alta demanda por programadores
Um bom programador no Vale chega pode receber mais que 150 mil doláres por ano, alguns que conheço ganham mais de 220 mil, fora bônus e ações da empresa e apesar disso sobra vaga. Agora imagine que você e seu CTO (que é programador) realmente consigam passar um tempo em São Francisco, supondo que esse cara seja realmente bom, como você vai fazer para evitar que ele seja seduzido por um Google, Apple ou Netflix? Isso falando dos grandes, mas existem milhares de startups que já foram aportadas buscando talentos.

Tenho certeza que existem outros pontos de vista por isso gostaria de saber se você tem alguma experiência pessoal que possa contribuir concordando ou discordando dessas razões levantadas? Seria incrível que pudesse compartilhar suas impressões e ajudasse a clarear ainda mais essas ideias, o que acha?

Se você concorda com essas ideias e está agora se perguntando pra onde ir então, espera um pouquinho que num próximo post irei mostrar algumas estratégias de internacionalização muito mais simples e baratas que praticamente todos os empreendedores podem tentar. Seguramente são um passo muito mais acertado no primeiro momento antes de focar no mercado americano.

Dúvidas, sugestões? Deixe um comentário! Será um prazer ajudá-los a esclarecer algum ponto e conhecer também suas opiniões sobre o assunto.

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Leo Uchoa
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